“Daqui a onze anos podemos ter desemprego médico”, alerta Agostinho Marques, director da Faculdade de Medicina do Porto, em entrevista ao jornalista Filipe Alves Pinto, do jornal O Primeiro de Janeiro.
“O ministro da Saúde, Correia de Campos prometeu há uns dias atrás mais 600 vagas para medicina. Actualmente temos 1400, teremos então 2000. O senhor ministro estava a fazer o elogio à Universidade do Minho por ter os seus primeiros licenciados em Medicina, e por ter nessa altura passado de cinquenta para cem [vagas]. E ao elogiar isso, entusiasmou-se como faz muitas vezes, e no entusiasmo saiu mais uma declaração que eu quero crer que não corresponde totalmente à sua opinião. A 1400 por ano, como estamos neste momento, e tendo em conta que um aluno demora seis anos a licenciar-se e depois cinco a sair para o mercado como especialista, daqui a onze anos já vamos ter excesso, vamos ter desemprego médico. Vamos ter falta de médicos durante alguns anos porque temos um grupo enorme de médicos que têm agora cinquenta e muitos anos e que vão chegar à reforma em poucos anos, independentemente de entrarem agora muitos ou poucos, porque [essa falta] dá-se antes dos próximos onze anos”, declara.“Mesmo assim continuamos a «importar» médicos de Espanha e de outros países…”, acrescenta o jornalista do Primeiro de Janeiro, ao que Agostinho Maques responde: “Temos um mercado aberto, e como disse há pouco [a necessidade de médicos] é capaz de ser ainda maior, quando se reformar toda essa gente. O problema é que os alunos que entram hoje serão médicos daqui a onze anos. Por isso, pode o ministro meter quantos quiser nos próximos onze anos que isso não interfere em nada com as condições do mercado de trabalho. Vai continuar a haver a mesma carência e terão que vir espanhóis na mesma. Daqui a onze anos já não será necessário, nessa altura já haverá excesso”.
Entrevista na íntegra em O Primeiro de Janeiro.
