O polémico cineasta Michael Moore está de volta, desta vez para denunciar o sistema de saúde norte-americano num novo filme: Sicko.
O mais recente documentário do realizador defende que o sistema de saúde norte-americano trata os doentes como fonte de prejuízo, naquele que é um programa de maximização de lucros das seguradoras e empresas faramcêuticas. Mas Moore não fala apenas dos que não têm seguro de saúde. Fala sobretudo dos outros: dos que tendo seguro de saúde têm as mesmas dificuldades em ter acesso aos tratamentos médicos de que precisam. Porque nos EUA o sistema de saúde não é universal e porque as seguradores se comportam como empresas que são. Para elas, a receita é simples: fazer lucro. E se fazer lucro é igual a prestar menos cuidados médicos, é isso que fazem. A única função de um médico numa seguradora passa a ser encontrar razões para negar o tratamento e poupar dinheiro à empresa.
O realizador não se limita a reportar os factos, a documentá-los, intervindo directamente sobre a realidade para provar a sua tese. Assim, Michael Moore recorre a trabalhadores voluntários no Groud Zero que desenvolveram doenças respiratórias e a quem as seguradoras se recusam a ajudar. Levou-os até Guantanamo (onde os presos da Al-Qaeda recebem melhores tratamentos médicos, diz Moore, que os americanos). Não podendo entrar, segue com os trabalhadores até Cuba, onde tem total liberdade de movimentos. E por isso tem o governo dos EUA (mais uma vez) à perna, com acusações de ter violado o embargo dos EUA a Cuba.
As seguradoras prepararam-se para a chegada de Moore – distribuindo memorandos nas empresas que ensinavam os empregados o que fazer e dizer na presença do realizador. Mas Michael Moore nem quis falar com eles. Não há, por isso, o «outro» lado da história (talvez fosse interessante ouvir as seguradoras a tentar justificar o seu trabalho…). Mas Michael Moore não é jornalista. Segundo ele, o seu trabalho «sendo jornalismo, é também uma sátira combinada com largas pitadas de opinião de modo a criar uma obra de arte».
Via: Vera Moutinho, SAPO
