De acordo com notícia publicada ontem no Jornal de Notícias, o stress é uma doença do foro psíquico que resulta da combinação de um acontecimento indutor com a personalidade que cada um possui. Quanto menor for a importância da situação e maior o impacto, mais vulnerável é a natureza da pessoa. A explicação foi dada pelo presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental Adriano Vaz Serra quando há dias, no III Congresso Nacional de Psiquiatria, falou de stress e qualidade de vida.Na apresentação da terceira edição do seu livro “O stress na vida de todos os dias”, o catedrático de Coimbra apontou quatro factores indutores os predisponentes (genéticos) e os mediadores, áreas do cerébro que regulam a actividade e a emoção humanas com base na experiência. Além do efeito de diátese (a maior ou menor sensibilidade às situações) e das consequências traduzidas nos quadros clínicos.Se o cérebro produzir serotonina em défice, a pessoa tem mais propensão para se sentir ansiosa, com medo ou infeliz. Os episódios traumáticos são os causadores mais graves de diagnósticos de stress – caso de antigos combatentes, vítimas de abuso sexual ou de maus tratos, de acidentes em transportes ou de atentados terroristas. Existem, contudo, situações do quotidiano que podem gerar stress. São mais frequentes e afectam o ser humano em qualquer idade ou fase da vida.No seu livro “O stress na vida de todos os dias”, o psiquiatra Adriano Vaz Serra aponta a lista de Wheaton (1994) das situações crónicas indutoras de stress. Em comum têm o facto “de se perpetuarem no tempo e não terem uma resolução nem imediata nem fácil”, por exemplo: ter frequentemente tarefas a realizar com um prazo limite para a sua realização; ter demasiado número de solicitações para cumprir ao mesmo tempo; viver num bairro em que há permanentemente risco de ser assaltada; ter conflitos frequentes com o cônjugue, o chefe ou os colegas de trabalho; sentir-se sub-remunerada em relação ao trabalho que desempenha; ser obrigada a um estilo de vida que lhe restringe a realização de outras actividades que são desejadas; sofrer de uma doença crónica que a limita no trabalho e na vida social; não dispôr de dinheiro suficiente para satisfazer as necessidades do agregado familiar; ter um membro da família que seja um toxicodependente ou um alcoólico que dê problemas constantes e não recupere.
Via : JN
